A primeira cantoria do dia

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“A paz invadiu o meu coração.
Num momento me encheu de paz.”

O último dia de feriado deslizou pelos prédios e ruas vazias que até então eram habitados por corpos tranquilos.
Quatro dias para uma cidade como São Paulo é com certeza humanizador.
Neste primeiro dia de retorno ao fluxo tudo é manso.
Os olhares encontram os espaços de maneira crua. De certo as lembranças dos momentos vividos pairam nos corpos pendurados no deslocamento ao ofício.
A vontade não é ir para frente. A vontade é ficar. Permanecer naqueles momentos experenciados.
A mão fecha o rosto. O rosto que não está, mas que se contrae. Talvez não foram só momentos de felicidade.
Mas a cidade demora em acordar. O corpo vivo visitou seus prazeres, suas vontades, seu tempo. E é com resistência que ele retorna.
Em torno, o giro é leve.

Em dentro as sensações transitam. Meu estado está cúmplice a estes outros meus.
Meu olhar está permeado de um sentir descolado.
Foi semana passada. Não foi pelo feriado, não foi por algo ou por alguém em específico.
Foi por um não sei o quê que me encheu.
Todas aquelas lacunas foram revolvidas. E de repente eu saquei. É melhor ser feliz do que estar certa.
Foi isso!
O tal não sei o quê. Foi isso, quer dizer, não foi, mas com certeza, por agora, pode ser.
É de tal forma que aquela palavra que todos insistem em chacoalhar quando a violência impera. Ela se apossou de mim. Mim corpo-mim-alma-mim existência.
Um bálsamo de cor e cheiro.
“A paz é muito branca”
Sim, a paz tem cor de sangue. O branco necessita de muitos decoros..

Sangue tempestuoso de gente que sai para rua.
Este movimento me pois em conversa com estas minhas veias e artérias.
Como éramos desconhecidas!

Neste possuir antropofágico
Foi me dado em conta que a conta nunca será paga.
A conta sempre terá um deficit.
E o bancário sempre estará insatisfeito. E a beleza doentia do cárcere sempre parecerá a melhor opção.

Quatro dias para São Paulo acaba amansando os bancários. No entanto já me cutuvelaram aqui no meio da costela. Já não olhei e nem fui olhada.
Foi ilusão para esta multidão irmã. No entanto, a poetisação ainda me bota em relação com tudo isso.
O bancário não me engana mais.

Um presente de uma amiga querida
Me faz dançar pelas ruas mesmo no movimento habitual de caminhar para frente.
Estes tecidos arteiros se colocam a girar e desenhar cores neste lugar desbotado.
E a sensação de aterrorizar o fluxo me é justa, assim como qualquer sorriso desmedido…

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