Tia Carolina

31 de maio de 2014
Rio de Janeiro – São Paulo

Tia Carolina

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No caos da dúvida
no inferno mental do desconhecido
há um lugar meu ai
um cantinho quente
permanente

Ali, isento os culpados
adormeço as dores com gengibre, limão e açucar queimado
acalmo a febre com batatas
clamo benções com a cruz de alecrim
massageio forte as tripas, desevirando o bucho
fico em silêncio, oro
lanços os ramos no meio fio
e retorno

O amor não é egoísta
não pode sê-lo
ele não mede
não pode ser exato, não tem segundos e nem horas
ele têm pulso
arritmia existêncial
do ser em ser
do medo de perder
do medo

ê, que ai perde
causa febre
vira o bucho
traz mal agoro
mal se olha
olha se mal
se mal, olha
olha-se, mal
Molha-se

Sinto o cheiro do alecrim
da senhora solene
do semblante terno
Agora é só lembrança
mas que muito cedo me ensinou curas cheirosas
e logo mais tarde me ensinou a dor
o peso da morte
e tudo isso ainda paira em mim
no meu caminho chei(r)o de alecrim.

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